Quase sempre bêbados, mas nunca sem razão!

sábado, fevereiro 18, 2006

continuando...

Pedir um whisky numa mesa de bar remete a muitas coisas. Inicialmente, lógico, àquele orgulho típico de bom bebedor, que ainda cheira o whisky pra ver se é um verdadeiro Johnnie Walker. Depois de várias cervejas, se mijarem dentro daquele copo, é capaz de não perceberem! Mas é preciso esses gestos... É orgulho, não é arrogância. Schopenhauer, se não me engano, dizia que orgulho é quando você é algo já definido e claro, não há dúvidas. Arrogância não... arrogância é como se quisessem provar algo para todos. Eles não. Se esforçaram para ser assim... bêbados. Sentem orgulho dos porres homéricos.
O outro lado do whisky é a poesia daquelas pedrinhas de gelo batendo no vidro, tão exaltada por Vinicius, o poetinha. Whisky é poesia por causa do Vinicius, do Cazuza e muitos outros grandes poetas. As bolinhas da cerveja são mais bonitas, porém aquelas pedras de gelo...
Eis que, antes do whisky, chega Cândido, amigo também, e, embora menos alcoólatra, pega um dos copos de cerveja e bebe de um só gole, tentando testar seus limites como o fazem aqueles cachorros pequenos que transam com nossos calcanhares. Já repararam nisso? Se um Fila fosse fazer o mesmo, estaríamos literalmente fodidos! Uma pessoa que realmente bebe jamais pegaria o copo de outro pra beber (a não ser que já estivesse bêbado). No máximo pegaria a garrafa e beberia o resto no gargalo. É o mesmo princípio, pode reparar. Ele está testando seus limites, pois se sabe menor no bar. Então a gente faz cara de nojo (da mesma forma como balançamos a perna para o cachorrinho parar) e pedimos mais um copo (como quem abaixa e diz: olha que bonitinho seu cachorrinho, hehehe). Era coisa típica do Cândido. Ele senta todo esparramado e diz:
- Bicho, você não sabe...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

...

Voltou do banheiro pensando se as mulheres têm o mesmo prazer que os homens ao mijarem após várias cervejas. No caminho para a mesa, esbarrou numa morena linda, daquelas que andam de calça apertadíssima e quando sentam deixam à mostra o que chamam de 'cofrinho'. Para ir da idéia sobre o prazer de urinar ao prazer do sexo não foi preciso chegar à mesa. Pensava: "faz até sentido apelidar de cofrinho, já que se o que realmente interessa estivesse à vista, eu seria o primeiro a pegar e levar pra casa. Mas precisava guardar tanto e por tanto tempo?". Riu da própria piada - uma menina lá do outro lado viu e pensou: "tá bêbado" - e foi sentar-se à mesa de sempre, no bar de sempre, ao lado do companheiro de bar de sempre onde sempre falavam sobre variadas mulheres.
- Ah, meu caro! - deu um longo gole na cerveja e continuou - Se eu tivesse dinheiro faria uma casa com um jardim enorme, cheio de girassóis, e arranjaria uma menina daquela pra ficar andando por ele pelada.
- E você ia ficar só olhando?
- Bom, pelo menos de vez em quando... não é possível comê-la 24h por dia, temos que confessar. Aliás, era sobre isso que vinha pensando quando voltava do banheiro: se as mulheres têm o mesmo prazer que nós ao fazer sexo, por que regulam tanto? Se eu fosse mulher, jamais voltaria pra casa sozinha.
- Ah, sei lá... tem essa coisa de segurança para os filhos, a questão do 'instinto materno'.
- Tá, então me explica o que leva uma mulher casada que tem filhos trair o marido. Você sabe que isso acontece.
- Tem umas que gostam mesmo. Mas há exceções. Minha mãe, por exemplo!
- Mas todo homem é louco por sexo, sem exceções. Não há homem que não coma a secretária se ela der bola e for gostosa. Até meu pai.
Na rua, um idiota dirige um carrão com som altíssimo e música ridícula. Algumas mulheres olham. A conversa foi subitamente esquecida como várias conversas anteriores e próximas. Papo de bar parece ser dissolvido no copo de cerveja. Não há um assunto que tenha conclusão. Perguntas simples como "que horas são" podem gerar um assunto que em nenhum outro lugar teria ligação com a pergunta. No bar faz todo sentido.
- Mais uma?
- Lógico. Aliás, um whisky não ia mal...