Quase sempre bêbados, mas nunca sem razão!

domingo, outubro 30, 2005

Princesas de Botecos

Num bar, sempre que chega alguma dessas princesinhas de cabelo comprido, decote e calça apertada, eu me apaixono instantaneamente.
Ela senta, dá uma arrumada no cabelo, puxa a calça para o cofrinho não aparecer e bebe cerveja com o dedinho levantado. Quando há o que comer na mesa, fica alguns segundos escolhendo com o palito o que pegar. Depois de um tempo olha pro nada e você logo imagina que ela está pensando na 'vagabunda' que está com o ex-namorado dela ou com o atual. Então ela saca o celular:
- Vamos tirar uma foto? - diz.
As pessoas do outro lado da mesa se arrumam. Ela levanta e eu fico observando a perfeição daquele corpo; vou logo tirando a roupa dela com os olhos... Ah... Desvio o olho para o fundo do meu copo e bebo a cerveja que resta de um gole só. Enquanto bebo, continuo olhando pelo espaço que o copo não ocupou. Peço mais uma, bem alto, pra ver se ela olha pra mim.
- Garçom, uma BOHEMIA, por favor - assim mesmo, acentuando a palavra BOHEMIA pra ela entender que você acha que a vida é curta demais pra beber cerveja barata.
Mas ela não vê. Senta, fica vendo as fotos... Então eu inicio a fase "olhar-de-maior-abandonado". Esqueço da cerveja e dos amigos e não desvio os olhos dela, até que, sem graça, ela percebe. E daqueles olhos tão lindos vem um olhar fulminante.
E agora, o que fazer?
Bebo mais uma cerveja, e percebo que as coisas ficaram um pouco mais coloridas.
Quando se trata de mulheres bonitas, os homens têm que escolher entre duas coisas: ou ele se torna inconveniente ou viado. Muitos acabam se frustrando com a quantidade de 'nãos' que tomam, ou com o desprezo vindo daqueles olhos tão lindos, e florescem. Outros não ligam e adotam o papel de inconveniente mesmo. Eu sou inconveniente.
Continuo olhando, apaixonado. Dou logo o nome para os nossos filhos: se for menina será "Sofia", se for homem... sei lá, algo bem comum tipo "Nietzsche". Será que ela topa?
Penso logo em nós dois andando de mãos dadas por um museu qualquer, diante de um pastoso Van Gogh ou um fascinante Dalí. O que será que ela faz? Estuda? Trabalha? Sabe quem é Jean-Paul Sartre?
(No fundo, estou pensando somente nela pelada, desfilando pra lá e pra cá. Mas meu inconsciente disfarça, pois se eu chegar perto dela pensando demais em sexo, vou logo caindo de boca naquele decote).
Me levanto. Arrasto a cadeira fazendo barulho e vou ao banheiro.
No banheiro - igreja de todos os bêbados - faço uma pequena oração pela nossa felicidade juntos. Dou uma olhada para o meu pênis e digo, mentalmente: "Tá vendo em que furada você estava se metendo? Isso é que é mulher, não aquela chata da ex. Essa bebe, não acha os barzinhos que você freqüenta sujos". Saio do banheiro e lavo a mão com cuidado, por que elas detestam homens que não lavam a mão quando saem do banheiro.
No pequeno trecho entre o banheiro e a mesa eu vou olhando para ela. Tropeço.
- Foi mau - digo para um babaca que se senta todo esparramado.
Quando vou chegando perto, vejo um indivíduo ao lado dela. Anh? Ele tá abraçando ela?
Como se não bastasse o filho-da-puta estar abraçando a mulher da minha vida, ainda dá uns beijinhos e no pescoço. Fico injuriado. Como pode essa princesa estar com um cara que usa gel, sai de casa com a camisa do sobrinho mais novo dele, e fica falando do "coríntia", assim mesmo, sem o 's' no final.

Definitivamente esse mundo está perdido. Aqui entra uma outra alternativa entre o ser viado ou inconveniente: ficar bêbado. Levanto o dedo indicador olhando para o garçom, e não dou uma palavra. O garçom aponta para a geladeira de cerveja. Eu, com a mão, faço que não e peço pra ele vir até a mesa. Ele chega, caneta e papel na mão.
- Um Red, por favor – digo, sobrancelhas juntas como de um personagem mal da novela das 8.
Depois de umas duas doses eu fico mais inconveniente que antes, e acabo dando cantada nalguma feinha também meio bêbada. Mas nunca me lembro, então foda-se.

sexta-feira, outubro 21, 2005

memorias de mis putas tristes...

Num bar com uns clientes e meu gerente, um dos clientes disse, citando outro alguém que não me lembro o nome:
"quando a gente transa com uma prostituta não pagamos o sexo. O sexo é de graça. O dinheiro que a gente dá é pra ela ir embora quietinha, não reclamar, não ligar no dia seguinte. Só isso".
Que absurdo. A profissão mais antiga do mundo ainda motivo de chacota nos bares. Coisa feia.
Eu sou contra. Quer dizer, sou a favor... xiiii... contra ou a favor de que? Ah... foda-se.

- Foda-se?! - interveio o diabinho dentro da minha cabeça - Ah não... esse negócio de masturbação é tão feio - disse ele, sobrancelha esquerda arqueada.
- Mas não disse nesse intuito... disse 'foda-se' como força de expressão, somente.
- Mas você estava pensando nisso, não era? - disse ele, olhar inocente.
- Mais ou menos.
- Como assim, 'mais ou menos'?
- Disse 'foda-se' para não ter que concluir o que penso sobre isso.
- Você são complicados...
- Mas e você, Lú, é a favor ou contra?
- A favor ou contra o quê?
- A prostituição!
- Ora... depende.
- Como assim, depende?
- Sou a favor da prostituição alheia, não da minha, hehehehe
- Imagino que não haja prostitutas nos arredores de seu castelo. Em compensação, o que deve ter de freira...
- Isso é verdade.
- Mas e aí, você gastaria dinheiro com prostitutas?
- Ah...
- Tá vendo? Tá vendo?
- Bom, vocês humanos não podem reclamar muito. Parece tudo tão fácil.
- Tudo bem. Mas e o dinheiro gasto em restaurantes, presentinhos... isso sem falar na dor de cabeça e na conta do telefone.
- É...
- ...
- Foda-se - disse o diabinho, e sumiu.

sexta-feira, outubro 14, 2005

se não bebêssemos, outros revelar-nos-íamos...

Não sei quem inventou esse negócio de 'filme' queimado. Será que isso tem a ver com aquela idéia de 15 minutos de fama? Bom, seja lá o que for, queria saber como está o meu filme.
Naquele tempo remoto em que havia câmeras fotográficas com filme (alguém ainda lembra disso?), a gente não podia abrir a câmera sob a luz, pois perderíamos as fotos; ou seja: o filme queimava. Quando o filme travava ou quando não tínhamos certeza do que acontecia dentro daquela engenhoca, abríamos no escuro, rebobinávamos o filme, etc. Se isso valer para o meu filme, creio que ele está bem. Todas as coisas que me deixaram preocupados com o estado dele foram feitas à noite; nem sempre no escuro, mas à noite (se eu estivesse sóbrio e fosse dia, realmente estaria fudido por causa da quantidade de besteiras que digo, dentre outras coisas, hehehe).
Mas que se foda também, hoje em dia é tudo digital. E, como se não bastasse, ainda há aquela maravilha da Adobe que dá um jeitinho nos detalhes das fotos. Se eu tenho um filme, ele é digital, portanto não queima. E mesmo que fosse aquela coisinha retrógrada, nunca o exponho a luz do dia!

quarta-feira, outubro 12, 2005

quando eu vi cio no meu vício...

Dia desses, na minha 'sorte do dia' no orkut, estava escrito: "o vício de hoje será a virtude de amanhã". Aí fiquei pensando se minha relação com com a cerveja e o whisky são vício. Busquei, lá longe, a imagem platônica de uma figura viciada. Me veio logo aquela cena do cara trancado dentro do quarto, negando a própria vontade. Ou seja: só há vício quando queremos parar. Droga pesada é complicada pq exige grana, daí um bom motivo para parar (além, é lógico, da perseguição da polícia). Al Pacino, interpretando o diabo em "O Advogado do Diabo", se dizia o últimos dos humanistas, pois que deus era aquele que dizia "olhe, mas não toque; toque, mas não prove; prove, mas não engula". Com relação ao vício, alteraria um pouco essa frase: "beba, mas não fume; fume, mas não trague; trague, mas não cheire; cheire, mas não injete... se injetar, não queira parar pq deve ser dífícil!".
Ou seja, só é viciado quem quer parar, e parar exige um motivo muito forte. No meu caso, tem que ser mais forte que whisky sem gelo.

Por favor, matem o cantor e chamem o garçom!

Lepra é uma coisa tão feia... A única lembrança boa que tenho da palavra 'lepra' é do filme "Diários de Motocicleta", lembra? Aquela cena do Che Guevara atravessando o rio a nado...

Já tuberculose é romântico... Quando eu tinha 16 achava o máximo ter 20 e poucos anos, um livro de poemas escrito, e morrer de Tuberulose como morreram Álvares de Azevedo e Castro Alves... Mas com 16 anos eu não bebia nem transava direito. Hoje quero morrer aos 117 anos, bêbado, na cama com uma mulher de 30, com um tiro na cabeça vindo da arma do corno. Aliás, meu plano de vida é esse: trabalhar até os 90 pra juntar bastante dinheiro, e daí até os 117.. 120, curtir a vida! (fui convincente?).

Como título do Blog, sugiro a frase: "Quase sempre bêbados, mas nunca sem razão!".

Vou logo dizendo: não fui eu que criei esse nome pro Blog. Mas sei que o pulso ainda pulsa.
Em boa parte dos casos, sou a favor do contrário das coisas que não foram escritas há pelo menos 20 anos. Portanto, estou à esquerda de tudo que não fui eu que escrevi aqui.

Logo de cara, ressalto que não tenho grandes preconceitos contra as menininhas que gostam de menininhas. Acho que elas têm bom gosto. A questão se põe da seguinte forma: existem as sapatinhas, as sapatas, e as sapatões. Os dois primeiros tipos são sempre comíveis, e dependendo do caso, até a última se não tiver o ombro mais largo que o meu. Mulher é sempre mulher, contanto que preservem minha integridade anal. Como diz o Veríssimo, "homem que é homem não tem preconceito. Mas se está numa sala com todas as cantoras da MPB, não desgruda a bunda da parede".

Quanto à política, não sou grande algoz do Lula. Mas também não estou tão a favor quanto há tempos atrás. Mas falar de política num blog com esse nome... fala sério. Política é como fuder cu de gato, já dizia Bukowski... Mas sou esquerda até a morte...